Gregório era o infeliz tipo de homem que amava demais, e que
externava esse amor, mesmo sem ser correspondido. Ele um típico romântico
intelectual até demais, poucas mulheres, poucas festas, pouca adolescência,
sempre foi extremamente inseguro. Ela, por outro lado, era uma típica
patricinha, não era burra, nem tão fútil quanto às pessoas a seu redor julgavam
que ela fosse. Luana era uma verdadeira descrente do amor.
Entre risos e tapas delicados Luana começa a falar.
-Sabe que você é um ESCROTO. Para de apertar minha barriga
porra!
- Para de ser chata!
- Tira seu rostinho suado dos meus peitos.
- Eu tenho esse direito! Afinal estamos juntos há quase três
meses, não é “amorzinho”.
Ela fica séria, ele percebe. Após alguns segundos tudo fica
silencioso. Ele então quebra o silencio.
- Eu sei que você odeia quando eu toco nesse assunto, mas...
Não sei se eu quero continuar fazendo as coisas assim.
- Assim como?
- Porra, Eu realmente acho errado desperdiçar isso num mero
caso. Eu tenho total noção que sou um cara meio velho, e às vezes até antiquado,
mas eu gosto de você o suficiente pra ver que eu não quero que isso acabe. Não
quero que cada um vá pro seu canto triste, sozinhos, rancorosos, e ambos se
perguntando “o que é que eu fiz de errado dessa vez?”.
Ela responde ainda extremamente séria:
- Oque você quer então?
- viver um romance, mesmo que passageiro, mas viver isso,
esse exato momento, como se nada mais importasse. Mesmo que acabe, lá no fundo
de nossas almas ainda vamos nos lembrar de ter vivido um amor singelo e real.
Nada de muito fantasioso.
- Você é o cara mais fresco que eu conheço. As vezes eu penso como
eu posso ter realmente ficado com você. Você parece uma menina de 14 anos que
sonha com um príncipe encantado! Para de palhaçada. Seja um homem, me come e me
esquece.
Gregório sente aquilo dentro de si, é como se tudo se
tornasse cinza, mórbido, monótono. Ele fica realmente triste após a declaração
de Luana. Ele então fala:
-Sabe oque me deixa mais puto?
-Oque?
-Eu vou agora pegar minhas coisas, me vestir, tirar tudo
oque é meu e colocar na minha mochila. Então eu vou pra casa, quando eu chegar
em casa provavelmente vai estar tocando alguma coisa, no rádio, que me lembre
você. Ai eu vou pegar a merda da garrafa de uísque e vou começar a beber, vou
ficar tão bêbado que vou acordar no dia seguinte com o coração dilacerado e com
uma dor de cabeça fudida. Eu vou chegar no trabalho atrasado, meu chefe vai me
dar um esporro, vou voltar pra casa e vou escrever essa merda de história.
- Como você sabe dessa sequencia tão linear .
- É porque é exatamente oque acontece quando eu amo alguém.
Arthur Rangel
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