terça-feira, 8 de setembro de 2015

Tentando reaver meu amor próprio

É meio estranho eu estar escrevendo isso,
não te compreendo,
no seu lugar eu me odiaria.
Lembraria de tudo que fiz com você,
as atrocidades que eu disse.

Nunca me passou pela cabeça uma coisa óbvia,
você sempre esteve lá,
uma pessoa rara 
com a qual eu poderia ser eu.

Me esfacelo em uma madrugada silenciosa,
procurando reverter o irreversível.
A solidão e o escuro são um açoite.

Paro para recordar,
lembro que fui infantil,
você era muito boa pra mim.

Eu ainda era um garoto,
não que isso tenha te impedido de me amar.
Jamais te mereci,
nem hoje 
nem naquele tempo.

Viro a página,
outra parte do poema,
lembro das mudanças que não ocorreriam,
não teria madurecido,
nem seria quem eu sou,
lhe devo muita coisa.

Agora os papéis se invertem,
Sofro veladamente,
para te poupar da preocupação
não expresso dor.

Notei o quanto te amo,
e quão importante você é.
O final é esse,
não quero lhe causar dor,
só te peço que não me de as costas. 



Arthur Rangel Berbat

Parado

Parei de fumar semana passada, parei de beber, também parei de sair de manha para comprar pão, parei de me importar com minhas roupas, parei de ser criativo, parei de cozinhar, parei de ir ao mercado, parei de ir a festas, parei de compartilhar minhas camisas sociais, parei de ser acordado por risadas, parei de ter abraços ao ver filmes bobos domingos a noite, parei de dormir na cama de casal, adotei o sofá, parei de ser iluminado, parei de vencer. 

Continuo derrotado .

O Relativista

Uma cidade cinza, em um subúrbio cinza, vivia um ser relativista, cinza, tão relativista que relativizava a si mesmo.
Dentro da vida do relativista surgiu uma pessoa cheia de cores, durante alguns anos o relativista não relativizou tanto, e aos poucos se coloriu.
Sua mente incerta das relativizações se misturava com as emoções, e delas surgiam as cores do relativista.
Relativizou, a cabeça cheia de incerteza o fazia progredir, e ao mesmo tempo, o ajudava a ver as diversas vertentes, as inúmeras faces da verdade.
Por outro lado, o extremo relativismo o freava, ele não conseguia sequer tomar decisões, vivia sem ter certezas de suas opiniões e não agia.
As cores eram geradas pelo questionamento misturado com as emoções, e assim a vida se tornava interessante.
Ao espalhar suas ideias o relativista, aos poucos, coloria as pessoas ao seu redor, que coloriam as pessoas em volta delas, e assim aos poucos as cores tomaram o mundo, tornando o mundo mais plural e feliz.