terça-feira, 8 de setembro de 2015

Tentando reaver meu amor próprio

É meio estranho eu estar escrevendo isso,
não te compreendo,
no seu lugar eu me odiaria.
Lembraria de tudo que fiz com você,
as atrocidades que eu disse.

Nunca me passou pela cabeça uma coisa óbvia,
você sempre esteve lá,
uma pessoa rara 
com a qual eu poderia ser eu.

Me esfacelo em uma madrugada silenciosa,
procurando reverter o irreversível.
A solidão e o escuro são um açoite.

Paro para recordar,
lembro que fui infantil,
você era muito boa pra mim.

Eu ainda era um garoto,
não que isso tenha te impedido de me amar.
Jamais te mereci,
nem hoje 
nem naquele tempo.

Viro a página,
outra parte do poema,
lembro das mudanças que não ocorreriam,
não teria madurecido,
nem seria quem eu sou,
lhe devo muita coisa.

Agora os papéis se invertem,
Sofro veladamente,
para te poupar da preocupação
não expresso dor.

Notei o quanto te amo,
e quão importante você é.
O final é esse,
não quero lhe causar dor,
só te peço que não me de as costas. 



Arthur Rangel Berbat

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