Via toda a bagunça impregnada no ar, parecia filme. Analisando a situação, não entendia a ação de seus colegas, talvez por não lembrar se sua função era de assegurar ou assustar e seu coração, remoído pelo seu dever, tão pouco funcionava. Apenas seguia a ordem dada pelo seu superior, mesmo que isso não fosse de seu agrado.
Era dia de sol, o termômetro marcava uns 22º, apesar da temperatura aparentemente agradável, seu corpo suava... de medo. Seus colegas, lado a lado, igualmente em pânico, seguiam tontos, porém firmes. Realmente era cena de filme, daqueles que criança adora assistir. Contudo o gosto dessa gente que suava feito torneira, não era dos melhores. Assustados e receosos, avançavam, abrindo espaço com seus trajes arrojados, escudos e capacetes. Era desconfortável.
Todos em volta não entendiam o ato dos policiais, até os policiais não entendiam, mas achavam-se com o direito já que foram ordenados. Pouco a pouco, essa atitude tomava um pouco de cada um, e cada um passava a ter uma visão diferente sobre o momento (Maldita herança tirânica!). Começavam a aceitar a baderna toda, tinham que ser respeitados a todo custo, caso contrário, partiam para a baixaria. Coitados. Seus corações eram possuídos por essa ganância, eram poderosos e confiantes.
Talvez não lembrassem - não por maldade, mas pela cegueira que o poder trazia - que o cidadão tinha um coração e este podia não ser corrompido. Bons tempos aqueles em que seus corações eram como o de um cidadão.
Pedro Schiller
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