sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Siné do que?

O dia estava a pino. As pessoas suadas, cansadas. E eu ali. Parado. Na Voluntários da Pátria. Em frente ao sinal, esperando abrir para mim. As rodas, eram muitas, e do meu lado, cada vez mais pedestres, uns baixos, outros altos, uns com chapéu, outros sem. De todo o tipo, de toda beleza, uns mais marginais, outros mais caretas, até que, no meio da muvuca, aparece um casal de ternos no meio de nós. Os dois pareciam apressados, aflitos, andavam para lá e para cá em um espaço curtíssimo. Um olhava para os carros, para o relógio, para o sinal... O outro, para cima, para baixo, para esquerda, direita, para os carros, para mim, para os outros, para o sinal... Parecia muito mais apressado que o primeiro. Achei curioso e passei a observá-los: cada gesto, cada olhar, seus movimentos. O que parecia mais agitado, de repente, ameaça a atravessar no meio das latas. Eram tantas, mal podia contar... 1, 2, 3, 4? Já contei esse? Eram muitos! Mas o tal do paletó foi para cima, ligeiro! Foi, atravessou metade da rua, voltou. Foi novamente e voltou. Ameaçou ir, parou. Foi! Foi! Voltou! Foi! Conseguiu atravessar com uma corridinha no final! Vitória? Dificilmente. Um dos pneus que passava gritou e agrediu-o verbalmente. O terno, então, com expressão de irritação e aparentando ter razão, mandou o pneu voltar à fábrica e ainda afirmou que esta fazia relações carnais em troca de papéis com valores numéricos. O pneu seguiu em frente enquanto o traje escuro ambulante ia esbarrando e rosnando para os panos que andavam na calçada. E aquele paletó que havia ficado do meu lado, o mais reservado, esperou as carruagens pararem e foi atravessando, apressado, mas não havia notado que o sinal não estava fechado para as rodas, que haviam parado para não fechar o cruzamento. Levou um coice de frente, uma cacetada na boca do estômago de uns 110 cavalos. Não chegou a cair e seguiu em frente. Logicamente, adjetivando os cavalinhos até a geração seguinte.

Finalmente o sinal abriu para nós, pés, que atravessamos tranquilamente e sem estresse, exceto pelo calor, que era insuportável. Fui andando para o Humaitá e pensando nesses ternos. Queria saber a lógica disso andar no Rio de janeiro, cuja temperatura agita bem as molequinhas e faz a gente suar feito sei lá o que. Dizem que eles são finos e que ‘’gente fina é outra coisa’’. Realmente... É uma coisa muita da esquisita mesmo. 


Pedro Schiller

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