quinta-feira, 23 de abril de 2015

Planeta Dissimulado

A safadeza ali
Virou um vício
Vidrado naquilo
Que anda e culmina
No desperdício.

Um viva para
Todos os costumes
Condenados
Que entrelaçam 
Nossas vidas.

Que suaviza e amortiza
A nossa história, 
Encarnado na escória
Precedendo nossos
Sonos efêmeros e eternos.

Chame de justiça 
Quando a briga
For de iguais,
Pois jamais 
Serão maltratados

Escuta o som
Que aquela gazeta
Permite-nos escutar?
São todos caretas preocupados
Com a sala de estar

Infelizes moscas
Abandonadas e ofendidas
Ao viverem subordinadas
Às sopas dos outros.
Infelizes moscas

Obrigadas a ouvir
Tudo tão chato.
"Mato a primeira que vier"
Sou raso, opaco e
Pretendo tudo!

Prefiro ser
A borboleta mais feia.
Não chateia a vida
Não esperneia a morte
E consegue ser, ainda, uma beleza

Estranheza, a nossa
Que julga toda beleza
Em estranheza. 
Boniteza, mesa, 
lindeza

De pureza
Vive a natureza
Linda!
A fumaça surge 
E estrambelha
Toda a braveza

Somos pobreza 
Embalsamada 
Em tristeza.
Somos nada
Que merece destreza.


Pedro Schiller

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