domingo, 24 de maio de 2015

Uma moeda para o barqueiro.

Olhando pra este recanto gelado,
o mundo esmaece sob a sua visão,
entorpecido, furioso, cheio de dor,
de uma maneira pouco romanceada.

Alguns guerreiros e alguns heróis
protagonizaram essa discórdia,
dentre eles você,
Porém, os homens que se consideram deuses,
fizeram teu destino,
sem consultar a ti.
"Sabes filho,
a guerra vai te deixar forte,
e os deuses vão lhe dar sorte".

Os abutres previram você aí,
sua dor os alimenta,
e seu desespero os faz sorrir.
Falaram de riquezas e felicidade,
você agora enxerga o mundo real,
cheio de sobriedade.

A beleza e o romance são perdidos na batalha,
mas os olhos não vão esquecer de nada.
Mentiram para ti,
a morte no real,
não é um meio,
é um final.

O espirito transcende o corpo,
mas o ódio também transcende o amor,
na dor, chorar sangue se torna vulgar.
no coração que palpita fracamente,
guardas mágoa,
para nunca deixar de lembrar,
para que do outro lado
você saiba a quem cobrar.

pobre garoto,
caído, sangrando,
chora pela mãe,
mas este é o fim desta história,
só a morte, nada de glória.

Arthur Rangel Berbat

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