domingo, 25 de agosto de 2013

O homem que esperava

                   
Era uma rua tão vazia que eu nem podia me lembrar dos carros que passeavam nela.
Você disse "esteja lá", e aqui estou... de pé, em frente para sua futura partida. 
Segurando a respiração, contando os segundos negativos, com os ventos cortando meus olhos. 
Seu toque era como o chão rodeado por folhas secas, que por sua vez rodeavam os ventos dançantes. 
Traziam de longe mágoas passadas, e como brisas apagavam histórias.
O vento sussurrou "ela não virá.", e então as gotas da chuva traduziram para mim.
Agora o céu chorava e eu não estava mais sozinho nessa. 
Não havia ninguém lá para ver, não havia ninguém em lugar nenhum. 
As ondas não falavam, as ruas não levavam, as pessoas não sentiam. 
Só os ventos podiam me acompanhar. A chuva, por sua vez, veio na hora certa me abraçar, as folhas me ajudaram a entender o que na verdade eu já sabia mas não queria reconhecer.
Ela se foi sem mim, e de presente me deixou a dor.


Fernanda  N. 

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