sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Pro inferno, revisão!

Antes de tudo, antes mesmo do início das exposições, antes da feira livre das reciclagens pensamentais, é importante que seja feita uma reivindicação: que não seja reprimida em este - atenção, revisão, pra primeira observação: é "em este" mesmo, não "neste" - recinto a adoração e a opção pelo ruim e pelo não-usual.

Explico.

Primeiramente, o bom não é propriamente educativo. O bom nos acostuma mal e nos isola em uma - atenção, revisão: "em uma" mesmo, não "numa" - redoma de veludo que nos impede de conhecer a vida como ela é. Já o ruim, não. O ruim elimina de primeira qualquer possibilidade de afeição inicial ou de expectativa posterior. Isso acaba por tornar qualquer fator que vem acompanhado do adjetivo "ruim" algo aceitável.

Daí vem minha adoração pelo ruim. Enquanto os acostumados com o que é indubitavelmente bom se sentem mal com qualquer coisinha, eu me deslumbro em vislumbrar qualquer cocô de cachorro que aparece no meus caminhos. Optando pelo ruim, qualquer descoberta já é uma maravilha.

O ser humano moderno vive numa - dessa vez, é "numa" mesmo. Acorda, revisão! - ditadura qualitativa, onde passa mais tempo julgando o que é melhor, o que é pior e menos tempo desfrutando o que deve ser desfrutado. Aí, nessa loucura epidêmica perfeccionista contemporânea, marginalizamos o que diz-se ruim, valorizamos o estar e esquecemos o ser.

Faço aqui, então, uma carta aberta pelos direitos dos esquecidos: ruins, uni-vos! Uni-vos contra o usual! Uni-vos contra os absurdos benignos, benéficos e benevolentes! Uni-vos contra os tirânicos arquitetos desta ditadura e uni-vos contra a hipocrisia da ordem e seus hipócritas agentes, os revisores!

Viva o palavrão, viva a merda, viva a falta de pontuação, viva o texto mau escrito, viva o mesmo mal lido.
Viva a inesistência dos erros de português. Viva o coloquialismo! Morte ao formal, morte ao careta!
Viva o atencionalismo. Viva o Google! Não precisamos de vocês, revisores anti-patrióticos! Não-brasileiros!

Pro inferno, revisão!


Rafael Balla

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